A Justiça decidiu levar a júri popular o delegado Vinícius Martinez, acusado de matar a jovem Katrina Bormio Silva Martins, de 16 anos. O caso ocorreu em 4 de agosto de 2024, após uma abordagem policial na saída da festa do peão de Promissão.
De acordo com as investigações, Martinez efetuou quatro disparos. Um deles atingiu o pescoço de Katrina, que chegou a ser levada ao Hospital Geral da cidade, mas não resistiu. A polícia alegou que o delegado tentava conter um homem que havia desacatado policiais militares e afirmava estar armado.
Decisão judicial aponta dolo eventual
Na semana passada, a Justiça acolheu parte da denúncia do Ministério Público e pronunciou o delegado por homicídio duplamente qualificado — com perigo comum e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação considera dolo eventual, ou seja, quando o agente assume o risco de matar. Além disso, ele responderá por três disparos de arma de fogo em local habitado.
Por outro lado, a Justiça rejeitou a acusação de tentativa de homicídio contra o homem supostamente desacatador e retirou uma das qualificadoras relativas à morte de Katrina. O juiz também negou novo pedido de prisão preventiva e manteve as medidas cautelares, como a proibição de retorno a Promissão.
Defesa nega dolo e fala em cumprimento do dever
Durante o processo, 18 testemunhas foram ouvidas. A Promotoria pediu a prisão preventiva do delegado, a suspensão de sua função, a proibição de portar armas e o fim do sigilo do caso. Já a defesa solicitou absolvição sumária e negou a existência de dolo, argumentando legítima defesa e cumprimento do dever legal.
Em nota, os advogados Augusto Mendes Araújo e Ellen Pelarigo reforçaram que o delegado agiu para proteger a sociedade diante de uma ameaça. Disseram ainda que ele lamenta profundamente a morte da adolescente e confia que a análise técnica das provas mostrará sua inocência.
Processo deixa de tramitar em sigilo
No dia 2 de julho, o juiz responsável pelo caso determinou a retirada do sigilo da ação penal. A decisão permite agora que os autos sejam acompanhados por qualquer interessado. O processo segue para julgamento no Tribunal do Júri, ainda sem data marcada.


