FRAUDE JUDICIAL

Fraude de R$ 21 milhões no Judiciário do MT tem alvos ligados a Marília

Operação Sepulcro Caiado mira esquema com falsos processos e movimentações suspeitas no TJ-MT
Divulgação/Polícia Civil MT
Divulgação/Polícia Civil MT

A fraude de R$ 21 milhões no judiciário do MT teve repercussão direta em Marília. A Operação Sepulcro Caiado, deflagrada pela Polícia Civil do Mato Grosso, cumpriu mandados na cidade nesta quarta-feira (30). O casal alvo das medidas é natural de Marília, mas reside atualmente no Centro-Oeste. Segundo a imprensa local, o advogado investigado é irmão de um promotor de Justiça.

Esquema envolvia falsos processos e desvio de valores

A ação se estendeu por vários estados. Em Marília, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. As ordens judiciais foram expedidas com base em provas reunidas ao longo da investigação.

Conforme a Polícia Civil, o grupo criminoso forjava documentos e manipulava processos judiciais para desviar dinheiro do TJ-MT. O esquema contava com a participação de advogados, empresários, servidores públicos e ao menos um funcionário do próprio Judiciário.

Como funcionava a fraude milionária

A fraude consistia em protocolar ações de cobrança falsas, usando documentos adulterados e comprovantes de pagamento forjados. Os supostos devedores sequer tinham conhecimento das ações. Mesmo assim, os valores eram desviados da conta central do Tribunal de Justiça para contas judiciais controladas pelos fraudadores. A partir disso, eles emitiam alvarás e sacavam os recursos.

No total, a operação cumpriu 160 ordens judiciais. Entre elas, 11 prisões preventivas, 22 buscas e apreensões, 16 bloqueios de valores que somam R$ 21,7 milhões, além do sequestro de 18 veículos e 48 imóveis. Também foram determinadas quebras de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos.

Atualização de sistema e novas descobertas

De acordo com o levantamento da Polícia Civil, 17 processos usaram a mesma estratégia entre os anos de 2018 e 2022. No entanto, em 2023, o TJ-MT atualizou os sistemas internos, o que dificultou a continuidade das fraudes.

Além disso, vítimas descobriram que tinham ações movidas em seus nomes, com cobranças que chegavam a R$ 1,8 milhão, embora as dívidas fossem, na verdade, muito menores. Em um dos casos, os criminosos utilizaram o nome de uma pessoa interditada para abrir um processo.

A Justiça investiga os crimes de organização criminosa, estelionato, falsificação de documentos, uso de documentos falsos, patrocínio infiel, peculato e lavagem de dinheiro. O inquérito segue em andamento.

O Tribunal de Justiça do Mato Grosso informou que colaborou com a investigação desde o início, inclusive comunicando movimentações suspeitas às autoridades.

Nome da operação faz alusão à aparência legal dos crimes

O nome da operação, “Sepulcro Caiado”, faz referência à aparência legal e formal dos processos, que escondiam as fraudes por trás de atos aparentemente legítimos.

Compartilhar essa notícia