BENEFÍCIOS NÃO RECLAMADOS

Brasileiros deixam de resgatar até R$ 50 mil de parentes mortos

Falta de informação, luto e burocracia levam famílias a perder benefícios após falecimento
José Cruz/Agência Brasil
José Cruz/Agência Brasil

Brasileiros deixam de resgatar até R$ 50 mil de parentes mortos em benefícios não reclamados, segundo a Planeje Bem, plataforma de planejamento sucessório e apoio pós-perda. O luto, a burocracia e a falta de orientação financeira explicam boa parte dessas perdas.

De acordo com a diretora Carolina Aparício, muitos valores ficam como “ativos invisíveis”: indenizações, seguros, contas bancárias e auxílios trabalhistas. Além disso, ela explica que vários benefícios poderiam ser resgatados de forma simples, desde que os familiares soubessem onde procurar.

Benefícios mais esquecidos

  • DPVAT por acidente ou morte: 40%
  • Auxílios trabalhistas (FGTS, PIS/Pasep, férias, 13º etc.): 25% a 30%
  • Contas bancárias, investimentos e consórcios: 25%
  • Seguros de vida e acidentes pessoais: 20%
  • Seguros corporativos e previdência privada (PGBL/VGBL): 20%
  • Pensão por morte do INSS: 10%

Além desses, outros benefícios pouco lembrados incluem auxílio-funeral (R$ 2 mil a R$ 5 mil), milhas aéreas e carteiras virtuais.

Perfis mais afetados

Segundo a pesquisa, homens respondem por 65% a 70% dos esquecimentos, enquanto mulheres representam de 30% a 35%. Já a faixa de 25 a 45 anos concentra a maioria dos casos. Frequentemente são filhos, sobrinhos ou netos que resolvem o funeral e, depois disso, deixam os prazos expirarem.

Causas e soluções

No DPVAT, por exemplo, o choque emocional após acidentes adia a busca pelo direito. Em relação aos auxílios trabalhistas, quando os herdeiros estão de acordo, um alvará judicial simples já permite o saque. Além disso, o Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central tem ajudado a localizar contas e saldos. Entretanto, beneficiários desatualizados ainda dificultam o resgate.

Em suma, muitos brasileiros deixam de resgatar até R$ 50 mil de parentes mortos por falta de informação e orientação. Portanto, a recomendação é planejamento sucessório e diálogo em família.

“Falar sobre a morte evita confusão e prejuízos depois da partida”, conclui Carolina.

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