Negociações entre Israel e Hamas foram retomadas no último fim de semana, em Doha, no Catar, com o objetivo de firmar um cessar-fogo e viabilizar a libertação de reféns mantidos em Gaza. Apesar do aumento dos ataques israelenses nos últimos dias, representantes do Hamas e mediadores internacionais acreditam em avanços nas conversas.
De acordo com fontes do movimento palestino, uma lista com 34 reféns foi apresentada, incluindo mulheres, idosos, crianças e doentes. O governo israelense, no entanto, afirma não ter recebido confirmação oficial sobre o estado de saúde ou as condições desses reféns. “A lista foi fornecida aos mediadores por Israel em julho de 2024 e não diretamente ao Hamas”, esclareceu o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Impasses e condições
A ausência de trégua é apontada pelo Hamas como obstáculo para localizar e verificar as condições dos reféns, que estariam sob custódia de diferentes grupos na Faixa de Gaza. O movimento também defende que qualquer progresso nas negociações dependa de um cessar-fogo permanente e da retirada de Israel do território. Em contrapartida, Israel exige informações detalhadas sobre os reféns antes de avançar em qualquer acordo.
Esforços diplomáticos
O chefe da Mossad, David Barnea, está previsto para chegar a Doha nesta segunda-feira (6) para dar continuidade ao diálogo. Enquanto isso, Netanyahu se reuniu com ministros e a equipe de negociação, destacando que as conversas são “promissoras”, embora ainda longe de um consenso.
Nos bastidores, o governo dos Estados Unidos também intensifica sua participação. O Secretário de Estado, Antony Blinken, declarou que espera avanços significativos nas próximas semanas. “Nosso objetivo é concluir essas negociações antes da posse do novo presidente”, afirmou, referindo-se à transição presidencial de Donald Trump.
Histórico e contexto
Desde o início do conflito, em outubro de 2023, Israel e Hamas alcançaram apenas uma trégua significativa, em novembro do mesmo ano, quando 105 reféns israelenses foram trocados por 240 prisioneiros palestinos. O conflito já resultou em milhares de mortes e na destruição de grande parte da infraestrutura em Gaza.
Atualmente, dos 251 reféns capturados pelo Hamas, 96 continuam no interior da Faixa de Gaza, enquanto 117 foram resgatados com vida, e 38 corpos recuperados pelas tropas israelenses. As negociações em andamento são vistas como uma rara oportunidade para reduzir a violência e buscar soluções duradouras para o conflito.


