TRIBUNAL DO JÚRI

Acusadas de matar idoso e ocultar corpo vão a júri popular em Marília

Justiça nega recurso e decide levar as rés a julgamento pelo crime ocorrido em 2022
Foto: Reprodução
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A Justiça de Marília decidiu que Wania Santos Silveira e Andréa Santos Silveira de Sousa serão julgadas pelo Tribunal do Júri pelo assassinato do idoso Donizeti Rosa, ocorrido entre outubro e novembro de 2022. Elas respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, e tiveram negado o direito de recorrer em liberdade.

A decisão foi proferida na sentença de pronúncia, que confirma a existência de provas suficientes para levar as acusadas a julgamento popular.

Defesa tentou impedir julgamento

Desde a denúncia, a defesa tentou evitar que as rés fossem a júri, solicitando um incidente de sanidade mental para avaliar se elas tinham plena consciência de seus atos. Caso fosse comprovada a inimputabilidade, elas poderiam ser internadas em vez de condenadas à prisão.

No entanto, laudos psiquiátricos atestaram que ambas possuem plena capacidade mental e podem responder criminalmente pelos crimes.

Ainda cabe recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), mas a possibilidade de reversão é considerada remota, já que há extensas provas colhidas na investigação, incluindo imagens de câmeras de segurança.

Crime brutal e tentativa frustrada de ocultação

O homicídio de Donizeti Rosa foi descoberto em 9 de novembro de 2022, quando seu corpo foi encontrado dentro de sacos plásticos e tecidos, abandonado próximo ao apartamento onde morava, na região central de Marília.

A investigação apontou que o idoso, antes de morrer, sofreu maus-tratos severos, sendo mantido em condições degradantes, sem alimentação e hidratação adequadas, o que causou grande sofrimento físico e psicológico.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) destacou que as rés exploraram financeiramente a vítima, utilizando seus benefícios do INSS enquanto ele estava debilitado.

Na noite de 9 de novembro de 2022, após a morte de Donizeti, as acusadas foram flagradas por câmeras de segurança arrastando o corpo em sacos plásticos pelas ruas da cidade. Elas tentaram colocá-lo em um carro de aplicativo, mas o motorista se recusou a transportá-lo ao perceber algo suspeito.

Diante do fracasso na ocultação, as rés abandonaram o corpo próximo ao próprio apartamento, já em estado de decomposição.

Julgamento pode resultar em penas severas

O juiz responsável pelo caso destacou que a conduta das acusadas foi de extrema crueldade, pois teriam empregado meio cruel, dificultado a defesa da vítima e ocultado o cadáver após o crime.

Se condenadas, Wania e Andréa podem enfrentar penas severas pelo homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

O julgamento pelo Tribunal do Júri ainda não tem data definida, mas a expectativa é que ocorra nos próximos meses, após o esgotamento dos últimos recursos da defesa.

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