O governo de Cuba debate um amplo pacote de reformas econômicas e sociais. O objetivo é ativar a economia da ilha e transformar o modelo atual. Além disso, as mudanças ocorrem em meio ao endurecimento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
O que muda nas reformas
As propostas incluem alterações nas políticas fiscal, cambial e de comércio exterior. Além disso, o governo prevê mudanças nos subsídios e uma reestruturação do Estado cubano. O presidente Miguel Díaz-Canel anunciou as medidas na semana passada.
Segundo o presidente, as reformas buscam resolver contradições entre a planificação central e os incentivos do mercado. Ele citou os exemplos da China e do Vietnã como referências. Contudo, Díaz-Canel afirmou que o compromisso com a justiça social permanece.
Mais autonomia para municípios e empresas
As reformas devem conceder maior autonomia para as empresas estatais e os municípios. Dessa forma, eles poderão atuar na área econômica sem autorização do comando central. O presidente destacou que os municípios poderão importar, exportar e gerir investimentos.
Além disso, as empresas terão liberdade para definir suas políticas internas. Elas também poderão fazer contratações e receber investimentos estrangeiros. Segundo Díaz-Canel, os trabalhadores terão participação nas decisões.
Mudanças na agricultura e comércio exterior
O programa de reformas também prevê mudanças no setor agrícola. O objetivo é aumentar a produção de alimentos e reduzir as terras ociosas. Por isso, os produtores terão acesso ao mercado de insumos agrícolas.
Além disso, as regras do comércio exterior serão alteradas. O governo busca aumentar as possibilidades de exportação e importação. Inclusive, algumas entidades poderão ter contas em outros países.
Bloqueio dos EUA asfixia Cuba
O bloqueio econômico contra Cuba já dura quase 70 anos. Contudo, a atual administração dos EUA endureceu as restrições no final de 2025. As medidas navais impostas à Venezuela afetaram o fornecimento de petróleo para a ilha.
Em janeiro de 2026, os EUA aumentaram o bloqueio ao ameaçar com sanções quem vender petróleo a Cuba. Por isso, o país ficou três meses sem receber petróleo. Nas últimas semanas, novas sanções atingiram os setores de turismo, mineração e petróleo.
Dessa forma, empresas hoteleiras e de mineração anunciaram a saída de Cuba. As medidas causaram aumento dos apagões e elevação dos preços. Além disso, reduziram o transporte público e a oferta da cesta básica. Segundo moradores de Havana, esse é o pior momento do país.


