Uma nova ameaça comercial dos Estados Unidos entrou no radar do governo brasileiro. Desta vez, a preocupação gira em torno de uma proposta que prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que essa medida tem mais chances de avançar do que outra investigação conduzida pelos Estados Unidos, que recomenda uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
A proposta surgiu após a conclusão de uma apuração do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que analisou práticas adotadas por 60 economias em relação à entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.
Brasil aparece em lista de países investigados
No relatório divulgado pelo órgão norte-americano, o Brasil aparece entre os países que, segundo a avaliação dos Estados Unidos, não implementaram mecanismos considerados suficientes para impedir a importação desse tipo de mercadoria.
Além do Brasil, a lista inclui países como China, Argentina, Austrália, Japão, Reino Unido, Índia e África do Sul.
Para esse grupo, o USTR sugeriu uma tarifa adicional de 12,5%.
Por outro lado, países que possuem mecanismos legais de restrição, mas apresentam falhas na aplicação das normas, receberam recomendação de sobretaxa menor, de 10%.
Entretanto, nenhuma das medidas entrou em vigor até o momento. Antes de uma decisão final, o governo norte-americano ainda realizará consultas e audiências públicas previstas para julho.
Governo vê dificuldade para reverter medida
A investigação começou em março e vinha sendo acompanhada pelo governo brasileiro desde o início.
Além disso, o Brasil apresentou sua defesa ao órgão norte-americano em abril.
Mesmo assim, integrantes do governo avaliam que essa proposta pode ser mais difícil de reverter nas negociações diplomáticas.
A leitura é que o tema envolve uma pauta internacionalmente sensível, ligada ao combate ao trabalho forçado, o que reduz o espaço para contestação política da medida.
Por isso, autoridades brasileiras trabalham para ampliar o diálogo com os Estados Unidos antes da decisão definitiva.
Outra investigação cita Pix e prevê tarifa maior
Paralelamente, outra investigação conduzida pelo USTR recomendou uma sobretaxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Nesse caso, o relatório menciona temas como comércio digital, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal, etanol e o sistema de pagamentos Pix.
Segundo o órgão norte-americano, algumas dessas práticas poderiam gerar impactos para empresas dos Estados Unidos.
Caso as duas propostas avancem integralmente, as exportações brasileiras poderiam enfrentar uma taxação total de até 37,5%.
Brasil aposta em negociação
Diante do cenário, o governo brasileiro tenta ampliar as negociações com a administração do presidente Donald Trump.
A estratégia envolve reuniões de um grupo de trabalho bilateral criado recentemente para discutir questões comerciais entre os dois países.
Além disso, o Planalto avalia solicitar a prorrogação das negociações caso não haja consenso dentro do prazo inicialmente previsto.
Enquanto isso, as autoridades brasileiras acompanham as consultas públicas e aguardam os próximos passos do governo norte-americano antes de qualquer decisão definitiva.


