Lançado na última sexta-feira (24), o programa municipal Ganha Tempo da Saúde/Zera Fila já enfrenta um desafio inesperado: a ausência de pacientes que confirmaram o agendamento. Apesar da longa espera — com mais de 10 mil pessoas na fila por uma consulta com especialista —, parte dos convocados simplesmente não comparece.
De acordo com o Hospital Beneficente da Unimar (HBU), responsável pelos atendimentos ortopédicos, 10 dos 50 pacientes agendados até a tarde desta quarta-feira (29) — ou seja, 20% — não compareceram ao Ambulatório Médico de Especialidades (AME), localizado na Universidade de Marília (Unimar). Nos primeiros dias do programa, 40 pacientes foram atendidos, com uma média diária de 20 consultas entre segunda (27) e terça-feira (28).
O ortopedista Carlos Henrique Bertoni Reis, coordenador da equipe do HBU, destacou que mais da metade dos pacientes teve seus problemas resolvidos já na primeira consulta. Para os demais, exames complementares foram solicitados, e um novo retorno será necessário.
“A demora no atendimento fez com que muitos casos evoluíssem, aumentando a necessidade de tratamentos mais complexos”, explica Reis. Segundo ele, muitos dos pacientes atendidos aguardavam consulta desde 2021 e 2022, o que agravou quadros de dor crônica e limitações funcionais.
Entre os casos mais graves, 16 dos 40 pacientes avaliados precisarão de cirurgia para colocação de prótese de joelho. No entanto, a realização desses procedimentos depende do credenciamento de alta complexidade do HBU, que busca viabilizar as cirurgias o quanto antes.
O programa Zera Fila foi implementado pelo prefeito Vinicius Camarinha (PSDB) no início de sua gestão e também encaminha pacientes para fisioterapia, medicação e outros acompanhamentos na rede municipal de saúde. A expectativa é que, ao longo do ano, mais especialidades sejam incorporadas, tanto no HBU quanto em outros prestadores de serviço.
“O Ambulatório Médico de Especialidades da Unimar já conta com todas as especialidades médicas e está pronto para ampliar os atendimentos conforme a demanda”, afirma Reis. Sobre a espera prolongada dos pacientes, o médico conclui: “Ver pessoas sofrendo por tanto tempo nos motiva a trabalhar ainda mais para resolver esses problemas.”


