A greve dos médicos residentes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Marília (HCFamema) segue sem previsão de encerramento. Iniciada na última sexta-feira (21), a paralisação ocorre devido à falta de anestesistas, um problema que afeta diretamente a realização de cirurgias eletivas e prejudica tanto os pacientes quanto a formação dos profissionais em especializações cirúrgicas.
Reunião sem avanços e impacto no atendimento
A decisão de manter a greve foi tomada após uma reunião entre a Comissão de Greve e a Superintendência do HCFamema, que, segundo os residentes, não apresentou propostas concretas para a retomada das cirurgias eletivas. Desde novembro de 2024, o hospital já vinha reduzindo o número de procedimentos agendados. Agora, as cirurgias estão sendo canceladas, sem previsão de novos agendamentos.
“Atualmente, não estamos cancelando mais, mas também não estamos marcando novas cirurgias. O impacto para a população e para a formação dos médicos é enorme”, declarou um representante da Comissão de Greve, que preferiu não ser identificado.
Impasses burocráticos dificultam contratação de anestesistas
A Superintendência do HCFamema enviou um relatório ao secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Eleuses Paiva, detalhando a crise e as dificuldades para a contratação de anestesistas. O principal obstáculo, segundo o documento, é a restrição imposta pelo Tribunal de Contas ao pagamento acima do teto salarial, tornando o cargo pouco atrativo para os profissionais da área.
Além disso, a Procuradoria Geral do Estado tem se posicionado contra a terceirização do serviço, insistindo na realização de concurso público — um processo que levaria tempo e não atenderia à demanda imediata. A falta de orçamento adequado também impede a contratação de profissionais por meio de serviços terceirizados.
Tentativa de solução e incertezas sobre o futuro
Para contornar o problema, o hospital abriu um pregão eletrônico para a contratação de uma empresa prestadora de serviços de anestesiologia. A sessão pública está marcada para o dia 14 de março de 2025, mas os residentes temem que a medida não seja suficiente para suprir a demanda emergencial.
A Comissão de Greve reforça que a paralisação continua até que haja uma solução definitiva por parte da Secretaria Estadual da Saúde. “Seguimos firmes na busca por uma resposta que atenda às necessidades dos residentes e da população”, diz a nota divulgada pelo grupo.
Por sua vez, a Secretaria de Estado da Saúde informou que o HCFamema publicou, na segunda-feira, um edital para a contratação de anestesistas e garantiu que está monitorando a situação para assegurar a continuidade e qualidade dos atendimentos.






