SINDICÂNCIA

Mesmo com a extinção do Daem, servidores podem ser penalizados por irregularidades

Sindicância apura irregularidades com foco em pagamentos irregulares de gratificação e descontrole fiscal
Foto: Divulgação/Prefeitura de Marília
Foto: Divulgação/Prefeitura de Marília

A Corregedoria Geral do Município de Marília deu início a uma sindicância para investigar possíveis faltas disciplinares cometidas por servidores públicos no extinto Departamento de Água e Esgoto de Marília (Daem). A portaria que oficializa a abertura do procedimento foi publicada na edição desta quinta-feira (28) do Diário Oficial do Município de Marília (Domm) e assinada pela corregedora Valquíria Galo Febrônio Alves.

De acordo com a portaria, a apuração será conduzida por uma comissão permanente de sindicância, já constituída pelo prefeito Daniel Alonso (PL). O prazo para a conclusão do processo é de 60 dias, podendo ser prorrogado por mais 30 dias, conforme estipulado pelo Código de Ética e Disciplina.

Decisão do TCE-SP impulsiona sindicância

A abertura da sindicância é uma medida decorrente de uma decisão do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), em setembro, no contexto de um processo que já havia considerado irregulares as contas do Daem referentes ao ano de 2020. Em um julgamento de recurso, a Corte de Contas concluiu que não foi dado aos servidores o direito de exercer a ampla defesa e o contraditório, no que diz respeito à acusação de recebimento indevido de gratificação de pregoeiro.

O processo envolve seis servidores, que, em 2010, receberam um total de R$ 154.606,32, com pagamentos individuais de R$ 25.767,72. O conselheiro Marco Aurélio Bertaiolli destacou que não houve a devida execução das funções de pregoeiro, o que levou à acusação de irregularidade.

Ex-presidentes do Daem também são implicados

Na mesma decisão, o TCE-SP retirou as multas de 200 unidades fiscais do Estado de São Paulo (Ufesp), no valor de R$ 7.072, que haviam sido aplicadas aos ex-presidentes do Daem, Andre Luiz Ferioli e Marcelo José de Macedo, em 2020. Apesar disso, as contas da extinta autarquia continuam reprovadas, devido a “descontrole fiscal”, falta de repasses previdenciários de novembro e 13º salário de dezembro, além do pagamento irregular da gratificação de pregoeiro.

Em sua defesa, Marcelo de Macedo atribuiu as dificuldades financeiras do Daem à retração econômica causada pela pandemia, alegando que o déficit poderia ser coberto no futuro. Por outro lado, o Ministério Público destacou que o Daem já enfrentava um déficit financeiro desde 2014.

Responsabilidade administrativa permanece, mesmo com a extinção do Daem

A sindicância continua a ser conduzida mesmo com a extinção do Daem, ressaltando que a responsabilidade administrativa dos servidores persiste em relação às eventuais irregularidades cometidas. Se as faltas disciplinares forem confirmadas, as penalidades poderão ser aplicadas de acordo com o Código de Ética e Disciplina do município.

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