A interdição de um trecho da rodovia Transbrasiliana (BR-153), em Marília, não tem sido suficiente para conter o fluxo de caminhões na região. Desde a última sexta-feira (20), quando o bloqueio passou a valer no km 258, motoristas de veículos pesados ainda encontram caminhos alternativos — e irregulares — para seguir viagem.
Na prática, o que se vê é um movimento constante de caminhões deixando a rota oficial e entrando na cidade, principalmente pela zona sul. A escolha encurta o trajeto e reduz o tempo de viagem, mas transfere o problema para dentro do perímetro urbano.
Um caminho mais curto, porém arriscado
Ignorando a sinalização no acesso a Lupércio, muitos condutores avançam até um desvio próximo à base da Polícia Rodoviária Federal. A partir dali, entram em uma estrada de terra que leva à rua Durval de Menezes, no bairro Nova Marília, e depois seguem até a avenida João Ramalho, alcançando a SP-294.
O percurso pode parecer vantajoso para quem está ao volante, mas o impacto já começa a aparecer. A via, sem pavimentação, sofre com o peso dos veículos e com as chuvas recentes, o que aumenta o risco e acelera o desgaste do trecho.
A cidade entra no trajeto
Com o desvio improvisado, o trânsito local passa a dividir espaço com veículos de carga pesada. A mudança altera a dinâmica das vias urbanas e exige atenção redobrada de motoristas e moradores da região.
Diante disso, a Empresa Municipal de Mobilidade Urbana (Emdurb) intensificou a sinalização e reforçou a presença de agentes nas avenidas Durval de Menezes e João Ramalho. O monitoramento ocorre desde as primeiras horas do dia.
Segundo o presidente da autarquia, Paulo Alves, não houve até agora uma alteração expressiva no fluxo habitual. Ainda assim, as equipes permanecem em alerta para qualquer mudança no cenário.
Entre economia de tempo e risco de multa
Apesar da aparente vantagem no percurso, a escolha pode sair cara. A Polícia Rodoviária Federal alerta que desrespeitar bloqueios é infração gravíssima, prevista no artigo 210 do Código de Trânsito Brasileiro.
A penalidade inclui multa, apreensão do veículo e até suspensão do direito de dirigir. Alguns motoristas já foram autuados, principalmente no sábado (21), ao tentar atravessar a interdição.
Rotas oficiais continuam disponíveis
Enquanto isso, os desvios oficiais seguem ativos e sinalizados. No sentido Ourinhos–Marília, o acesso ocorre no km 280, com ligação à SP-331 e, posteriormente, à SP-294. Já no sentido inverso, o desvio começa no km 257, passando pelo perímetro urbano até alcançar novamente as rodovias estaduais.
Existe também um caminho emergencial destinado à população local, mas o uso por caminhões compromete a segurança e a estrutura da via.
Uma situação ainda em andamento
A Prefeitura de Marília acompanha o caso em conjunto com a PRF e a concessionária Triunfo Transbrasiliana. Medidas já foram adotadas, inclusive com orientação ao transporte coletivo sobre possíveis alterações de trajeto.
A Defesa Civil reforça o alerta: a estrada de terra utilizada de forma irregular apresenta condições precárias, agravadas pelas chuvas. O risco, portanto, não é apenas estrutural, mas também de segurança.
Com as obras já iniciadas no trecho interditado — e previsão de até 15 dias para conclusão, dependendo do clima —, a tendência é de que o fluxo de caminhões na região continue. Até lá, a zona sul de Marília segue como rota improvisada de um problema que começou na rodovia, mas agora atravessa a cidade.


