A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou emergência de saúde pública de interesse internacional após o avanço do surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda. A doença já provocou pelo menos 131 mortes e soma mais de 500 casos suspeitos.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a velocidade do avanço da doença preocupa autoridades internacionais. Por isso, a organização convocou um comitê de emergência para discutir medidas temporárias e estratégias de contenção.
Além disso, a OMS classificou a situação como o segundo nível mais alto de alerta sanitário internacional. Mesmo assim, a agência informou que o cenário ainda não se enquadra oficialmente como pandemia.
Casos avançam em novas regiões da África
As autoridades sanitárias confirmaram o avanço dos casos para áreas mais amplas da República Democrática do Congo. Entre as regiões afetadas estão Ituri, Kivu do Norte e a cidade de Goma.
Enquanto isso, o ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba, informou que o país já registra 513 casos suspeitos da doença. Além disso, Uganda confirmou dois casos e uma morte relacionada ao vírus.
Segundo a OMS, o surto atual envolve a variante Bundibugyo do ebola, que ainda não possui vacina ou tratamento oficialmente aprovados. Dessa forma, a taxa de mortalidade dessa cepa pode chegar a 40%.
Especialistas discutem uso de vacinas experimentais
Diante do avanço da doença, especialistas internacionais começaram a discutir possíveis alternativas de vacinação. Entre as opções avaliadas está a vacina Ervebo, desenvolvida pela Merck para outra variante do ebola. Estudos em animais apontaram alguma proteção também contra a cepa Bundibugyo.
Além disso, autoridades africanas e internacionais intensificaram medidas de vigilância sanitária e rastreamento de contatos.
Por causa do risco de disseminação regional, a OMS recomendou que países vizinhos reforcem o monitoramento em fronteiras, aeroportos e unidades de saúde.
Estados Unidos e países vizinhos reforçam vigilância
O governo de Ruanda informou que ampliará o rastreamento em sua fronteira com a República Democrática do Congo. Ao mesmo tempo, a Nigéria afirmou que acompanha a evolução do surto de perto.
Nos Estados Unidos, o CDC anunciou novas restrições de entrada e monitoramento de viajantes vindos de áreas afetadas. Além disso, o país emitiu alerta máximo de viagem para a República Democrática do Congo.
Entre os infectados está um médico norte-americano que atuava na região africana atingida pelo surto. Ele será transferido para tratamento na Alemanha.
O ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais contaminados e pode provocar febre hemorrágica grave, vômitos, diarreia e hemorragias internas. Segundo a OMS, a taxa de mortalidade da doença varia entre 25% e 90%, dependendo da variante e das condições de atendimento






