TRABALHO ESCRAVO

Paraguaios são resgatados de fábrica clandestina durante operação federal em Ourinhos

Trabalhadores viviam em condições degradantes e eram vigiados em cárcere privado
Foto: Ministério Público do Trabalho
Foto: Ministério Público do Trabalho

Uma operação federal resgatou 14 paraguaios de uma fábrica clandestina de cigarros em Ourinhos (SP), nesta terça-feira (15). Os trabalhadores viviam em condições insalubres, sob vigilância constante, e cumpriam jornadas exaustivas. A ação, batizada de Operação Chrysós, reuniu o Ministério Público do Trabalho, o Ministério do Trabalho e a Polícia Federal.

Segundo as investigações, a organização criminosa recrutava as vítimas no Paraguai por meio de aplicativos de mensagens. Com promessas de salários entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, o grupo conduzia os paraguaios até o Brasil pela fronteira com o Paraná, principalmente pela cidade de Guaíra. Em seguida, levava-os até a fábrica em Ourinhos.

Na chegada, os criminosos recolhiam os celulares das vítimas. Durante todo o período de trabalho, os paraguaios permaneciam em cárcere privado. Além disso, dormiam em alojamentos precários e, por dias, se alimentavam apenas com bolachas.

Após o resgate, os trabalhadores prestaram depoimentos na sede da Polícia Federal em Marília. O procurador do Trabalho Gustavo Rizzo Ricardo ouviu as vítimas e calculou as verbas rescisórias, que serão cobradas na Justiça. O Ministério do Trabalho garantirá o seguro-desemprego. Posteriormente, todos serão conduzidos a Ciudad del Este, no Paraguai.

A operação também cumpriu sete mandados de busca e dois de prisão preventiva nos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Além disso, houve bloqueio de bens no valor de R$ 20 milhões. A estimativa é que a fábrica clandestina produzia cerca de 60 mil maços de cigarro por dia.

O nome Chrysós, que significa “ouro” em grego, faz referência ao município onde funcionava a operação criminosa.

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